Carla Bruni

“Carla Bruni deixou as passerelles há dez anos. Reza a lenda que a diva italiana nunca precisou de reunir um pé-de-meia, visto descender de um magnata da indústria automóvel. No entanto, no derradeiro ano enquanto modelo, Bruni amealhou milhões suficientes para constar na lista das 20 manequins mais ricas do mundo. Reformada antes dos 30, Bruni, que desde os cinco anos vive em França, dedicou-se às suas outras paixões: a literatura e a música. Filha de uma pianista e irmã da actriz Valeria Bruni-Tedeschi (5×2, Munique), Carla estreou-se nos discos em 2002. Com o músico e produtor Louis Bertignac no lugar de co-piloto, a escultural transalpina lançou Quelqu’un M’a Dit, um disco delicado, acústico e sussurrante, não muito distante do murmúrio francófono que, no ano passado, Charlotte Gainsbourg esculpiu em 5:55. Quelqu’un M’a Dit, dizíamos, tornou-se um dos álbuns mais falados de 2002; aquilo que Bruni anunciou como tributo à «chanson française» pulou directamente para as prateleiras dos arautos do bom gosto em câmara lenta.

Em 2007, Bruni troca a língua do seu país adoptivo pelo inglês. Propósito: cantar poemas de autores anglófonos, como William Butler Yeats, Emily Dickinson, Walter de la Mare ou Dorothy Parker. Não se tema, porém, uma terrível metamorfose, de cantora de charme a declamadora enfadonha. Bruni, que compôs todas as músicas, adapta-as lindamente aos textos escolhidos, cantados com graça e desprendimento. Pontuados por harmónicas e guitarras bluesy, os 11 temas mostram uma Carla Bruni menos francesa e mais americana. O piscar de olho ao Novo Mundo nunca soa, porém, descarado; Bruni é discreta e saudavelmente retro, mesmo se a sua voz ganha cada vez mais grão e espessura. «Those Dancing Days Are Gone», «Before The World Was Made» e «I Felt My Life With Both My Hands» são alguns dos melhores momentos de No Promises: tal como o seu antecessor, um disco sem grandes fogachos mas simpático qb, do qual é fácil gostar, sem à equação ter de adicionar a apolínea beleza da cantante”.

in Blitz

  • Quelqu’un ma dit (2002)

Eneida


 

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